Wednesday, June 11, 2008

Gasóleo e gasolina começam a escassear na região Centro e Algarve


11.06.2008 - 13h32 Lusa
O gasóleo e a gasolina começam a escassear em alguns postos de abastecimento da Região Centro. No Algarve, há postos sem combustível em Portimão, Lagos, Lagoa e Silves. Os transportadores de passageiros admitem rupturas a "qualquer momento”.Em Viseu os automobilistas estão a encher o depósito dos seus carros. "Hoje houve mais pessoas a abastecer quando foram para o trabalho. Clientes que habitualmente metiam só cinco ou dez euros de cada vez, meteram muito mais, e houve mais gente do que é normal a atestar", contou Marcelino Santos, funcionário das bombas da Galp de Vila Chã de Sá. "Só vim atestar hoje porque ouvi nas notícias o que se estava a passar”, contou Maria Eugénia Simões, de Santa Comba Dão.Em Coimbra, o tempo de espera dos automobilistas para abastecimento em alguns postos de combustível chegou aos 30 a 40 minutos e há filas com dezenas de veículos. Desde o início da manhã existem filas na generalidade das bombas da cidade e mesmo em vilas do interior do distrito, como Lousã ou Arganil. Na Pedrulha, a norte de Coimbra, as bombas da Galp não têm gasóleo normal desde ontem de manhã, enquanto o gasóleo GForce esgotou hoje de manhã. Estão encerradas as bombas do Continente, junto ao centro comercial Fórum Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego. Nas gasolineiras da Guarda ainda não se registam quebras nos combustíveis. Uma corrida anormal às bombas de gasolina marcou a manhã em Castelo Branco, com grandes filas na maior parte dos postos de abastecimento, onde o gasóleo e a gasolina de 95 octanas já faltam. Nas bombas do Jumbo, o gasóleo faltou esta manhã e a gasolina deve chegar até ao final do dia, se não houver reabastecimento, segundo fonte do estabelecimento. Nas bombas Intermarché de Castelo Branco não há gasóleo e a gasolina de 95 octanas acabou na segunda-feira. Na maior parte dos postos de abastecimento os depósitos estão a chegar aos níveis de segurança, o que leva os responsáveis a afirmar que se a paralisação continuar serão obrigados a encerrar. Já na Figueira da Foz, o abastecimento de gasolina e gasóleo pode cessar hoje, dada a escassez de combustível nos cinco postos da cidade e a afluência crescente de automobilistas. Em Leiria, as filas para os postos de combustíveis também são muito grandes e já levaram ao fim do gasóleo em pelo menos três locais, como o posto do Intermarché da Gândara dos Olivais, onde se pode ver um grande cartaz informando que o gasóleo está esgotado, exasperando os condutores que aí procuraram combustível mais barato. E mesmo a Galp, junto ao hipermercado Continente, deverá deixar de ter combustível dentro de horas, como confirmaram as funcionárias do posto. "O gasóleo está mesmo a terminar e a gasolina já não chega a depois do almoço, tal é a quantidade de gente que aqui vem", explicou uma das funcionárias. Na zona de Santarém, desde o início da manhã que alguns postos de abastecimento já não têm gasóleo e a gasolina também começava a escassear. Postos "secos" e longas filas onde ainda há combustível no AlgarveEm Portimão, os postos de abastecimento começaram a "secar" ontem e hoje ao final da manhã não havia praticamente postos abertos. Nas cidades vizinhas - Lagos, Lagoa e Silves -, o cenário é idêntico e os automobilistas tentam agora encontrar combustível nas pequenas localidades, mais afastadas do grande rebuliço. No outro lado do Algarve, nas zonas fronteiriças do Sotavento, há uma "corrida" de espanhóis aos postos de abastecimento portugueses, por temerem também ficar impossibilitados de se deslocar de automóvel. Na capital algarvia, a maior parte dos postos de abastecimento apresentam longas filas, prevendo-se que em algumas horas o combustível possa acabar devido ao fenómeno do "açambarcamento", disseram alguns revendedores. Os automobilistas mostram-se revoltados com a situação, sobretudo com a inércia do Governo, que deveria tomar medidas urgentes, mas também com o "extremismo" dos camionistas, a quem acusam de "chantagem". "Nós não temos culpa nenhuma disto e não temos que ser sacrificados", desabafava um automobilista presente numa das filas para abastecer, apesar de confessar que "claro" que gostaria de ver os preços baixar. O sentimento geral é de desespero e, segundo disseram alguns automobilistas, há pessoas que estão a abastecer mesmo com os depósitos cheios de combustível, só com medo de ficar impossibilitados de circular. "Devia haver alguém a verificar isto, pois como as coisas estão quase seria de racionar o combustível", dizia outra automobilista, chocada com os efeitos que a crise está atingir e esperançada de que a paralisação termine. Transportadores de passageiros admitem rupturas a "qualquer momento"O presidente da associação de transportadores de passageiros (ANTROP), Cabaço Martins, admitiu hoje a possibilidade de rupturas no serviço "a qualquer momento", apelando ao Governo para que garanta o abastecimento de combustível ao sector. "Neste momento não há rupturas [no transporte de passageiros], mas os problemas podem acontecer a qualquer momento, hoje ou amanhã [quinta-feira]", disse o presidente da Associação Nacional de Transportadores Pesados de Passageiros. O responsável, que afirma estar em contacto e coordenação permanente com o Ministério das Obras Públicas, defendeu a necessidade de o Governo "ter consciência" de que o transporte de passageiros é "um serviço essencial", sendo por isso necessário garantir o abastecimento de combustíveis a este sector. De acordo com Cabaço Martins, a ANTROP entregou ao Executivo um inventário dos postos de combustível necessários para o funcionamento dos transportes públicos, esperando agora que seja possível assegurar o seu abastecimento. A Associação Nacional de Transportadores Pesados de Passageiros (ANTROP) congrega 121 empresas de transportes públicos, que representam uma frota de cerca de oito mil autocarros, principalmente em Lisboa e Porto.

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